Cá em casa não estamos propriamente numa fase boa. No meio de gritos, insultos e discussões diárias, cá se vai sobrevivendo.
Quando já se tem 19 anos, já se vai compreendendo e aprende-se a ignorar, mas quando se tem 8 e não se está habituado a isto, estranha-se. Torna-se complicado e doloroso para quem vê este pequeno ser sofrer com isto.
"Rita, tenho medo." - disse-me ela.
Vi o pânico e o receio nos olhos dela quando me dirigiu estas palavras. Senti o que ela estava a sentir naquele momento. A minha reacção foi abraça-la e dar-lhe um beijo na testa. Respondi-lhe com um "não tenhas, pequenina, está tudo bem!". Está tudo bem?! Não!! Não está tudo bem coisa nenhuma! Estava a magoar-me o simples facto de a ter nos meus braços a chorar. Senti o coraçãozinho dela bater mais forte. Era medo.
"Não tenhas medo, princesa - insisti - sabes que não estás sozinha! Eu estarei aqui para ti, sempre que precisares... e quando não precisares... estarei aqui na mesma!". Ela, finalmente, deixou fugir um sorriso, e por mais pequeno que fosse, foi o suficiente para me aquecer o coração.
Esperei que ela adormecesse de novo. Não queria que se sentisse sozinha, afinal, era a única pessoa com quem ela podia contar naquele momento. Queria estar ali para ela, tinha que estar. Era preciso.
Agora, ao vê-la dormir, apesar da dor que me vai no peito, sinto a alma quentinha. Agora sim, ela está tranquila e descansada.
Inês, não te quero desiludir, não quero deixar-te cair. Nunca! Vou estar aqui para ti sempre, para o que der e vier! Vou cuidar de ti e não vou deixar que nada de mal te aconteça. Não vou mesmo! E vou ser aquela irmã chata que tu não queres ter! :)
Para o teu bem, pequenina!
Dorme bem, princesinha.
mrita.
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