Nunca conheci ninguém que tivesse uma família tão grande e tão unida como a minha, mas tenho a sensação de que, com a saída do meu irmão mais velho cá de casa, as coisas foram ficando mais murchas. Ele era o menino lindinho, fofinho, queridinho e tudo da minha mãe... e de repente, ela vê o filho sair de casa.
Compreensível.
Nessa altura, ao início, o clima ficou tenso cá em casa. A minha mãe ora estava contente por ele ter conseguido seguir a vida dele, ora chorava e irritava-se por não o ter tão perto. Eu e os meus irmãos tentamos compensar a partida dele: demos-lhe atenção, carinho, saíamos com ela e chegámos a deixar os nossos amigos de lado para ficar com ela. Mas nos tempos de fraqueza, ela descarregava sempre no meu pai, que fingia estar sempre tudo bem, aguentava tudo... fazia-se de forte.
Admiro-o muito. <3
As coisas pareceram melhorar...e melhoraram mesmo. Voltámos a ser o que éramos antes mesmo sem o meu irmão tão perto, mas parece que ela se esqueceu de tudo o que fizemos por ela, esqueceu-se que fizemos tudo para que ela sorrisse, esqueceu-se que fizemos tudo para que ela estivesse bem... esqueceu-se.
Hoje, ela ralha-nos por tudo e por nada, discute por coisas miscroscópicas e faz-nos sentir como se fossemos, realmente, as piores pessoas do mundo. Se ainda fosse só de vez em quando, achava normal, saudável... mas quando se torna rotina, já não acho bem. Depois de ouvir tudo aquilo que já ouvi nos últimos meses até hoje, depois de tudo o que já fui acusada, depois de tudo o que é dito pela minha mãe sobre mim... abriu-se uma ferida que não sei se algum dia vai sarar. Tenho uma irmã mais nova (8 anos) que era uma paz de alma... mas com isto a durar tanto tempo, começou a tornar-se uma miúda revoltada e sem papas na língua: começou a dizer tudo o que pensa, tudo o que quer e bem entende... não a critico nem a julgo por nada e até acho bem que o faça, mas se há algo que ela não conseguiu foi começar a ser de ferro. Também chora, também sente no peito aquela "dor forte", como ela chama.
Gosto de estar sempre ao lado dela, apoia-la... gosto que ela desabafe comigo, que me conte o que sente... mas o que mais me custa é ter que me fazer de forte para ela, para ela tentar superar isto tudo.
E eu sei que ela consegue.
Mas eu, também não sou de ferro, tenho sentimentos... e, quando estou sozinha, choro. Deito cá para fora toda (ou quase toda) a dor que sinto no momento e não é pouca.
Só gostava que as coisas mudassem um bocadinho.
Não me apetece escrever mais.
Obrigada mãe, pela tua (in)compreensão.
mrita.

